Noélia Lapinha Couto (69 anos), nasceu em Ilhéus, mas foi em Ibirapitanga que construiu a sua história.
Imagem Ilustrativa
Noélia veio morar em Ibirapitanga quando ainda era uma menina. Nesse município ela recebeu apoio e foi adotada como filha! Aqui aprendeu de tudo um pouco e com isso deixou marcas em várias áreas... Nunca teve oportunidade de estudar, mas Noélia foi professora! É isso mesmo que você leu. Essa mulher descobriu a leitura e a escrita sem ir à escola e compartilhou o que aprendeu, com muita gente. Ela não teve escolaridade e se considera autodidata. (Pessoa curiosa que aprende pelo próprio esforço). Quando era criança, não teve chance de brincar e nem de estudar. Trabalhava duro no campo e foi na Fazenda Conceição em Novo Horizonte ( Distrito de Ibirapitanga), que Noélia recebeu um convite pra ser professora e ela aceitou. Na época o então prefeito Raimundo Mimoso, nomeou-a como educadora do município e assim foi por muito tempo. Na fazenda do saudoso Ederval Ferreira ela também atuou como professora e alfabetizou a região... Essa mulher viveu outras profissões. Foi parteira, Assistente Social, conselheira, costureira... E diretora de uma casa de parto.
Primeiro parto que fez, foi o da irmã que tinha 16 anos. Nova demais e correndo riscos, pois a parteira da região, sofria de reumatismo e travou as mãos na hora de fazer o procedimento. Ao perceber a irmã, sofrendo e distante da cidade, Noélia teve que ser corajosa e foi aí que iniciou os primeiros capítulos que forma hoje, a parte mais importante do seu livro contado. Naquele momento difícil, pensou que ela tinha que ser forte e livrar a irmã da morte e assim fez. O bebezinho se tornou um grande homem, agora quase completando 50 anos de idade... Mãe e filho, ainda estão bem vivos para relembrar o passado e agradecer a Deus por ele ter tomado a direção da situação, naquele dia de sufoco. Segundo a parteira Noélia, o município era carente desses serviços, não tinha hospital, então esses partos aconteciam por mãos experientes ou não. Mais tarde, Noélia fez um curso de técnica de enfermagem em Gandu e passou a ajudar as mães carentes. Fazia isso sem querer nada em troca e na própria casa. Em Ibirapitanga, abraçou a causa quando Dona Militana faleceu e nunca mais deixou de fazer o bem por alí... Em 1993, realizou 123 partos, inclusive de gêmeos e depois perdeu as contas, destes feitos e no Bairro Novo, passou a ser a cuidadora do povo. No Governo de Boró, ela foi Assistente Social. Noélia é responsável por boa parte da juventude dessa cidade... Anaíza, Anaildo Júnior, Emanoele Argolo e tantos outros nomes, que ela não se lembra mais, estão vivos e muitos desses cidadãos tem um carinho enorme por essa senhora humilde e de bom coração. Em forma de reconhecimento vereador Jé Assunção e alguns moradores do bairro que ela morava, nomearam o primeiro posto de saúde dali como Noélia Lapinha e assim ficou sendo chamado aquele espaço. Uma homenagem justa, que o atual prefeito Dr. Ravan manteve na mais nova Unidade construída em sua gestão.
"Muito justo homenagear em vida àqueles que realmente tenha serviços relevantes prestados; Assim, até eles podem testemunhar e se regozijarem com os seus feitos." Disse...
Após todo esse sucesso profissional, ela aposentou, mora no paraíso de Algodões em Maraú, mas ainda costura e muito bem! Todas as manhãs, ela caminha pelas lindas praias e logo volta para o batente, pois a máquina de costura está a sua espera. Ao sobrar tempo, ela acompanham pelas redes sociais as notícias e fica feliz, por ser o assunto do momento. Com toda essa alegria, Noélia curte e agradece a todos carinhosamente. A inauguração da Unidade de Saúde Noélia Lapinha, será de festa e esse patrimônio vivo estará presente para contar pessoalmente a sua trajetória. Em entrevista para o blog, a homenageada falou sobre o presente...
"Esta homenagem não é minha e sim do povo do Bairro Novo que merece essa atenção. Quanto a utilização do meu nome, foi um reconhecimento em vida, coisa que é difícil acontecer e sou grata a Deus por isso."
Enfim, são tantas emoções, que falta espaço e sobram palavras que ficarão guardadas para outra ocasião, já que reportagens semelhantes, estarão sempre em destaque aqui. Texto de Rita Santos (IbiraOnline.Com).
A mãe de Noélia Lapinha ainda vive para acompanhar o sucesso da filha, netos e bisnetos... Dona Idália (92 anos) Mora em Camamuzinho.
“Muito bom!
Como é maravilhoso falar de alguém
que tem uma história tão linda. E o melhor saber que a homenagem é justa e mais
que necessária. Arrasou Rita! Estou curiosa pra ver o rostinho dessa guerreira.
Tem muita gente nessa cidade que tem tanto pra contar. E merece também uma
homenagem dessa. Por exemplo a mãe de Zé Mário merecia uma homenagem assim.
Mesmo estando morta, mas Zé Mário seguiu os passos da mãe e está vivo. Dona
Pichuca era uma pessoa muito dada à ajudar a comunidade, Dona Militana também,
eu tenho um sonho de ainda ver uma casa de apoio as gestantes em Ibirapitanga
com o nome de Dona Militana. Um lugar que acolha a gestante para ensinar as
adolescentes a prevenir gravidez, doenças sexualmente transmissíveis, ensinar
os cuidados com o bebê , as situações adversas de uma gestação. E acho
justíssimo esse tipo de homenagem!” Lígia Ransauer.
“São tantas histórias
que não caberiam em um livro! Eu fico boba com tanta gente que ela ajudou, fico
maravilhada como ela ensinou a mainha (Isa Couto), e isso ajudou muito a gente
naquela época difícil.” Anaiza
Couto







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